Fabiana Ferreira Lopes

" A vida só se da para quem se deu" Vinicius de Moraes

Textos

O fardo de ser eu
Não busco aceitação.
E, diferente de muitos, também não busco aprovação.

Não estou aqui para convencer ninguém de coisa alguma.

Se você escolhe verde ou azul, pouco me importa. Tenho muito mais com que me ocupar. Minha própria evolução, por exemplo.

Sim, já fui utópica. Acreditei que meus superpoderes — conhecimento, educação e respeito — pudessem salvar o mundo.

Até que ardi na fogueira.

E descobri que ninguém salva quem não deseja, de fato, ser salvo.

Aliás, quem sou eu, em meio à multidão, para assumir essa missão?

Meu afastamento não é covardia, tampouco prepotência. É tempo. É vida. É a compreensão de que nem toda batalha merece nossa presença e nem toda discussão merece nossas palavras.

Não desperdiço mais retórica e pérolas com aquilo que já demonstrou ser um caso perdido.

E, ao contrário de muitos, pouco me importa se tenho mil ou um milhão.

O que me importa é conseguir deitar a cabeça no travesseiro. Minha única sentença inegociável é aquela que vem da minha própria consciência.

Pago o preço todos os dias. Não invento desculpas. Assumo quem sou, o que sou e o peso que isso carrega.

Não sigo tendências. Não busco plateia.

Aquilo que você pode considerar uma verdadeira ascensão, para mim, talvez não passe de capricho.

Penso além.

E sigo com o fardo de ser eu. E poucos conseguem.

Não estou aqui a passeio. Se você está, talvez seja esse o limite que seu próprio entendimento lhe permite alcançar.

Não existem saltos na evolução.

Não, não sou melhor. Nem pior.

Simplesmente abri os olhos. E há coisas que, depois de vistas, não podem mais ser ignoradas.

E isso custa.

O mundo, como está, não me basta. É onde estou, mas não é tudo o que consigo enxergar.

Então sigo.

Resisto. Persisto.

E você?
Fabiana Ferreira Lopes
Enviado por Fabiana Ferreira Lopes em 31/10/2026
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