

SOBRE O RESULTADOS DAS ELEIÇÕES DE 2026
Camaradas, o mal tem sempre vencido há milênios junto à perversidade e à cupidícia daqueles
que acreditam que a riqueza e o poder são os seus deuses, e eles têm sido bem-sucedidos desde então, e eles têm se perpetuado de império a império, de reino a reino, de república a república, de regime a regime, de ditadura a ditadura. Os que pensam em justiça, amor, felicidade coletiva, paz, poesia, cultura libertadora e embevecimento com o bem e o belo são minoria e sempre resistiram e esperançaram, sacrificando, muitas vezes, as suas próprias existências pelo bem comum em uma luta árdua e, muitas vezes, inglória. Nós, como parte integrante dessa minoria consciente nesse processo, somos a resistência resiliente milenária que, ao atravessar os séculos, jamais pôde experimentar, de fato, alguma espécie de redenção duradoura e efetiva; tivemos apenas momentos de esperança em meio ao caos dentro da embocadura cravejada de presas afiadas do grande lobo da desgraça humana. Assim, não sei o quanto temos sido tolos nesse processo, ou corajosos, ou esperançosos demais; sei que o mundo humano é e está exatamente do jeito que o ele quer ser e estar. E, como vendo o Cristo crucificado, somos sempre levados a vomitar amarga e repetidamente a sentença à nossa própria realidade cíclica e pesteada de sofrimentos: consumatum est! Nós, e os que vieram antes de nós, somos os que insistem no ideário de justiça, generosidade e paz. Porém, sempre estivemos sob a mira de suas espadas, catapultas, canhões, rifles e armas de destruição em massa porque o mesmo conhecimento que nos liberta e destranca a nossa consciência é visto por inescrupulosos como ameaça aos seus interesses macabros. Portanto, esse conhecimento que liberta a nossa consciência pode também nos levar ao decesso por contrariar e questionar o poder opressor estabelecido pois o mal continua a vencer imparavelmente entre as gerações de gerações da espécie humana. O fato é que nos contrapomos à estupidez e à sede de poder dos infames poderosos, aos quais em nada importa a miséria e a exploração violenta dos menos favorecidos; dos miseráveis, dos invisíveis. Quantos séculos estamos regredindo nesse exato momento? Quantos passos demos para frente diante das centenas de passos que acabamos de dar para trás? Diante do cenário político que se desenvolve perante os nossos olhos temblantes e terrificados, é inacreditável saber que Michele Bolsonaro tenha se tornado senadora da República, que Sérgio Moro tenha se tornado governador, que Deltan Dallagnol tenha conseguido driblar a justiça uma vez mais e ser eleito também senador da República, que Nicolas Ferreira tenha sido o deputado mais votado da história desse país, que Lucas Pavanato - sem alguma proposta para o povo que não fosse a perseguição a pessoas trans - tenha sido o segundo deputado mais bem votado da história do Brasil, que o PL tenha a maior bancada no Senado e na Câmara, com uma aliança partidária gigantesca, e que, na Câmara e no Senado, a extrema direita seja majoritariamente a detentora política das decisões que selarão com ferro em brasa o destino dos povos de nossa nação. Se Lula perder, perdemos um baluarte de resistência no Brasil, Bolsonaro pai será libertado, o STF se fascistizará terrivelmente e o portão para nos tornarmos um Evangelhistão estará aberto e sem empecilhos. E para que existe essa extrema direita sequiosa de poder, pregadora de uma moral farisaica e carcomida pelo cinismo e pela mentira? Para que existe essa extrema direita patriarcal, machista, racista, xenofóbica, misógina, elegebetefóbica e perseguidora da diversidade? Evidentemente para perseguir pessoas LGBTQIAPN+, para cassar os direitos das mulheres, para negar o racismo, para negar direitos trabalhistas, para destruir nossas alianças estratégicas no exterior, para sucatear nossas conquistas sociais, para nos retirar dos BRICS, para nos entregar de bandeja aos Estados Unidos e Israel, promover a ampliação das perseguições raciais e religiosas às culturas dos povos afroamerindígenas, para usurpar e vendilhar nossas riquezas, para privatizar todos os bens públicos que o sangue e o suor dos brasileiros construíram ao longo de nossa História, para fazer um desmonte de nossa Educação já frágil e deficitária, para destruir com o nosso Sistema Único de Saúde, para enfraquecer as lutas sociais desse país tão necessitado de justiça e equidade sociais, para afastar de nós o sonho da prosperidade comunitária e da paz duradoura. Desgraçadamente, o Brasil selou seu destino, e o fez democraticamente, por mais que isso nos deixe atônitos e incrédulos, foi democraticamente que entregamos nossos destinos ao julgo da barbárie e do grotesco, e pior, falsamente, em nome de Deus, da Pátria e da Família . Tudo isso revela o profundo desprezo do próprio povo brasileiro por si mesmo, pelo futuro e pela prosperidade de sua própria nação. Adeus, BRICS; adeus, terras raras; adeus, soberania; adeus, direitos trabalhistas; adeus, dignidade humana; adeus, direitos humanos; adeus, direitos das mulheres, LGBT's, negros e povos originários; adeus, liberdade; enfim, adeus, Brasil soberano, livre e próspero para todos! (Angelo Riccell Piovischini) Chapada Diamantina, 05 de outubro de 201
Angelo Riccell Piovischini
Enviado por Fabiana Ferreira Lopes em 05/10/2026
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