

Precipicío
No meu silêncio
eu vasculho, com assombro, os labirintos da minha alma. Fragmentada, vejo-me encolhida nos escombros disso que chamei de amor. Dei acesso ao meu coração, aos meus profundos segredos. E o que você fez? Reduziu o que poderíamos ter sido a uma enxurrada de cobranças e acusações, partindo-me ao meio com a desculpa de ser por amor. E eu fui encolhendo-me para caber no teu universo caótico, diluindo a mim mesma no decorrer do tempo. Enfim, percebo tardiamente que o cais e o porto seguro que tanto busquei não estão no teu corpo nem ao teu lado. E quando todas as minhas supostas certezas sobre nós se esvaem, muito de mim também morre, pouco a pouco e lentamente, sem rota de fuga ou plano B. Entre lamentos e choro, pergunto ao acaso: por quê? Desolada e só, não obtenho resposta alguma. Contemplo o imenso vazio que amar você me causou. E, na contenção de danos, ainda atordoada, sinto que muito pouco de mim restou. Por fim, você não foi o primeiro a implodir-me; todavia, assemelha-se a um tsunami. Deveras, você será o meu fim.
Fabiana Ferreira Lopes
Enviado por Fabiana Ferreira Lopes em 26/12/2025
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