

Um outro agosto
É só mais um dia comum.
Tomo o café com o olhar perdido, enquanto o tempo corre célere, indiferente. Quando dou por mim, uma vida inteira já passou. Fragmentos de você — um aqui, outro acolá — feitos de desencontros e silêncios que nunca se explicaram. Por um instante, pergunto a mim mesma: e se tivesse sido você? Naquele agosto. Naquele 1993. Haveria paixão suficiente para sustentar os reveses e todo o meu caos? Você ainda enxugaria minhas lágrimas, acolheria minhas confissões, calaria meus lamentos com beijos — ou o tempo também nos desensinaria? Perdi um tempo valioso, talvez. Atribulada demais para perceber que o tal porto, o cais que tanto procurei, podia estar ali… contigo. Retorno ao agora, com o assombro dos meus pensamentos: uma mistura delicada de desejo e tormento. Mas há coisas que o tempo não encerra, apenas adia. E há encontros que não se perdem — ficam em suspensão, à espera de coragem, ou de outro agosto em que o destino resolva insistir.
Fabiana Ferreira Lopes
Enviado por Fabiana Ferreira Lopes em 21/12/2025
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