

Você jamais será Eu
Então você deu como certa a minha queda.
De canto, vislumbrou o desfecho, convicto de que, enfim, havia vencido. Viu meu choro, riu do meu desespero, regozijou-se com o meu sofrimento. E sim — eu caí. Mergulhei no abismo profundo da minha alma, tateei o lamaçal em busca de saída, e, por um instante, quase desisti. Mas você esqueceu da minha infinita capacidade de erguer-me dos próprios escombros. A lona não é minha morada. E você jamais terá o prazer de me ver sucumbir sem luta. Talvez eu não aja como os que se vestem de santidade emprestada. Há em mim um misto de revolta e vigor. Eu contemplo minhas fragilidades e não me escondo. Sou o que sou — e pago o preço por ser apaixonada pela minha humanidade, com suas falhas, vicissitudes e essa força motriz que simplesmente não me permite parar. Eu sigo, ainda que alquebrada. Você não é capaz de aprisionar o vento. E eu — eu nunca vou desistir. Enquanto houver ar em meus pulmões, estarei aqui, disposta a alçar o voo mais alto e me assentar no cume da montanha. Esse é o meu lugar. Fique aí, à espreita. Assista. Gaste seu tempo, sua energia, seu falso poder tentando apagar algo que é inerente a mim e que você jamais possuirá. Porque mesmo envolta em sombras, eu continuo sendo quem sou. E isso — isso você, nem seus asseclas, nem seus vassalos, jamais serão. Eu.
Fabiana Ferreira Lopes
Enviado por Fabiana Ferreira Lopes em 11/12/2025
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