

E agora o que resta de mim?
Houve um tempo em que acreditei que seríamos nós dois,
para além do tempo. E a tua ausência ainda dói — na pele, no corpo, na alma. Caminho por ruas onde teus rastros ficaram: riso, choro, gozo. E sem a sinfonia dos teus passos ao meu lado, quase ninguém percebe — e talvez nem eu consiga conceber — como tanto amor pôde simplesmente ruir. Houve um tempo em que quase acreditei. Então você me ensinou que nem sempre o amor é suficiente. E esse adeus que eu nunca aprendi a pronunciar segue marcado em mim, por inteiro. É quase inconcebível imaginar a vida sem você. Como é que se aprende a não querer quem se tornou abrigo? Houve um tempo em que meu mundo era só estar aqui por você. Agora, recolho meus cacos: pranto, dor, vazio — enquanto a vida ao redor continua comum. Sigo com a boca carmim, rubra de vinho, a atriz perfeita encenando que não precisa de você. Houve um tempo em que isso até seria possível antes de você impregnar meus sentidos, roubar minha paz, aprisionar-me no teu gosto, no teu cheiro de ferro fundido. E agora? O que resta de mim? Houve um tempo em que a resposta viria fácil. Mas não hoje. Hoje, eu apenas respiro. Hoje, eu apenas existo. E talvez seja assim que se recomeça — no intervalo entre o que foi e o que ainda terei coragem de ser.
Fabiana Ferreira Lopes
Enviado por Fabiana Ferreira Lopes em 11/12/2025
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