Fabiana Ferreira Lopes

" A vida só se da para quem se deu" Vinicius de Moraes

Textos

E agora o que resta de mim?
Houve um tempo em que acreditei que seríamos nós dois,
para além do tempo.
E a tua ausência ainda dói — na pele, no corpo, na alma.

Caminho por ruas onde teus rastros ficaram: riso, choro, gozo.
E sem a sinfonia dos teus passos ao meu lado,
quase ninguém percebe — e talvez nem eu consiga conceber —
como tanto amor pôde simplesmente ruir.

Houve um tempo em que quase acreditei.
Então você me ensinou
que nem sempre o amor é suficiente.
E esse adeus que eu nunca aprendi a pronunciar
segue marcado em mim, por inteiro.
É quase inconcebível imaginar a vida sem você.
Como é que se aprende a não querer quem se tornou abrigo?

Houve um tempo em que meu mundo era só estar aqui por você.
Agora, recolho meus cacos:
pranto, dor, vazio —
enquanto a vida ao redor continua comum.
Sigo com a boca carmim, rubra de vinho,
a atriz perfeita encenando que não precisa de você.

Houve um tempo em que isso até seria possível
antes de você impregnar meus sentidos,
roubar minha paz,
aprisionar-me no teu gosto,
no teu cheiro de ferro fundido.

E agora? O que resta de mim?
Houve um tempo em que a resposta viria fácil.
Mas não hoje.
Hoje, eu apenas respiro.
Hoje, eu apenas existo.
E talvez seja assim que se recomeça —
no intervalo entre o que foi
e o que ainda terei coragem de ser.
Fabiana Ferreira Lopes
Enviado por Fabiana Ferreira Lopes em 11/12/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras